sexta-feira, 27 de julho de 2018

Eles e eu; NL, 070502009; Publicado: BH, 030402010.

Eles e eu 
Eles são ricos fortes e
Poderosos têm deuses para protegê-los
E santos para fazerem milagres e papas
E padres para perdoarem seus pecados eles
Têm carros importados whiskys legítimos
E vinhos saudáveis máquinas super modernas
Parafernálias eletrônicas de última geração modelos
Famosas e desejadas por todos enfim
Eles são invejados têm tudo de
Tudo e não lhes falta nada se
Safam e se esbaldam fazem festas
E banquetes orgias e bacanais olham
Esbugalham os olhos e querem sempre
Mais juntam dinheiro com muita usura
E eu só tenho a literatura eu só sou
O prisioneiro da caverna platônica só
Sou o porco Diógenes no barril o cego
Homero a vagar de aldeia em aldeia a
Viver da ajuda alheia e não tenho deuses
E não tenho santos e não tenho padres e
Muito menos papas só tenho cá comigo
Os meus demônios socráticos as minhas
Dúvidas e as minhas incertezas as
Derrotas e fracassos e outras coisas mais
Que eles não conhecem pobreza e
Miséria e desgraças mas que são os maiores
Causadores eles são a elite e a burguesia
Eu sou a poesia o poeta herético
A utopia a bigorna a marreta e a azia
A ferida crônica purulenta e que está sempre
Aberta para a festa das moscas infernais.

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