quarta-feira, 18 de julho de 2018

Todo dia; RJ, 1981; Publicado: BH, 0310702012.

Todo dia 
Tu passas 
E não achas graça
Com a bunda entre as pernas
Toda dura e indiferente
A quem todo dia te espera
Podes passar a andar
Um dia tu levas o teu
Um bom de um escorregão
E cais por cima
Desse sexo fresco
Que estás a guardar
Para a terra comer
Não penses
Que corro atrás
Que não corro não
Podes me ignorar
Podes até fingir
Que não me vês
E nem me enxergas;
Não vou pestanejar
E quando um dia
Fores precisar de mim
Aí vais ver
Que rabo de gato
Não se torce
E em buraco de tatu
Não se enfia a mão
Podes passar a rebolar
Toda empinada
Com a máscara na cara
Que não acho graça
Não dou bolas
E nem olho para ti
Todo dia tu passas 
E nem te vejo.

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