sexta-feira, 29 de junho de 2018

Se a minha escrita tivesse poder faliria; NL, 0190402008; Publicado: BH, 0201102009.






Se minha escrita tivesse poder faliria
Os Estados Unidos da América derrotaria o imperialismo
Capitalista e as burguesias e as elites do mundo
Se minha escrita tivesse poder o povo marcharia
Para Brasília e daria uma surra de tapas na
Cara daquela corja de párias parasitas e vermes
De deputados federais e senadores do congresso se
Minha escrita tivesse poder de aids e de câncer
Ninguém morreria mais muito menos de outras
Doenças e nós o povo teríamos educação saúde
Transporte lazer cultura soberania cidadania 
Liberdade e independência e real democracia
Se minha escrita tivesse poder nenhuma nação
Subjugaria outra a justiça seria infalível e
Para todos a fazer com que a respeitássemos e não
Seria essa justiça para alguns para abandonar outros
Se minha escrita tivesse poder a Amazônia seria
Intocável o indígena viveria para sempre no
Seu santuário e o negro seria indenizado
Por tudo que já sofreu na história não
Teríamos prisões e nem penitenciárias não seriam
Necessárias e nem úteis se minha escrita tivesse
Poder nem hospitais e nem sanatórios se minha
Escrita tivesse poder jamais as crianças sofreriam quaisquer
Tipos de violências seriam dignas dos nossos respeitos
Deveres e considerações e teríamos princípios ética, razão
Decoro e moral se a minha escrita tivesse poder a família
Nunca seria desfeita os pais honrariam aos filhos e os
Filhos aos pais o respeito seria primordial e a infelicidade
Não bateria suas asas sobre nós as armas seriam também
Destruídas a guerra acabaria e a paz seria o nosso
Alimento de cada dia se a minha escrita tivesse
Poder a natureza permaneceria intacta a fauna e
A flora não sofreriam danos em nome do progresso
E uma formiguinha não seria excluída do ecossistema
Se a minha escrita tivesse poder jamais destruiríamos
A camada de ozônio e poluiríamos a atmosfera os mares
Os oceanos e as águas que nos sustentam os ditadores
E senhores das guerras jamais teriam nascido vivos
Os déspotas os colonizadores destruidores de costumes todos
Teriam nascido mortos se a minha escrita tivesse
Poder com uma só palavra eu diria tudo que tenho para
Dizer o mundo todo entenderia em todas as línguas de
Que só precisaríamos de apenas viver.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Chega de atrair o povo; BH, 0250801999; Publicado: BH, 0260602012.

Chega de atrair o povo
Para o buraco da infelicidade
Chega de falar morosamente
Com quem nos abala
Nos faz andar de rastos
E com dificuldade
Chega de deixar o tempo correr
Sossegadamente para aquele
Que não respeita aposentado
Não respeita desempregado
E nem respeita trabalhador
É hora de acertarmos
A cabeça dele com arretel
Com antigo peso de 16 onças
Equivalente a 459 gramas
Tem que parar com o arrazoado
Com a exposição mal feita
Em defesa de uma causa
Sem causa igual ao neoliberalismo
A globalização e seus males
A privatização e a venda
Que causam danos prejuízos
À nação ao país ao povo
Basta de arrazoar expor razões
Em defesa da burguesia
Em defesa da elite
Da classe dominante
É pau na moleira deles
Não os deixemos argumentar
Nada têm para falar
Não os deixemos altercar
Vamos exprimir nossa irritação
Mostrar nossa cólera
Dar nosso uivo de irra arre
Por o arreamento nesse governo
Arreio na nobreza
E alfaia no povo
E fazer a festa popular:
Nós vamos rir eles vão chorar.

Quero escrever; RJ, 030201999; Publicado: BH, 0260602012.

Quero escrever
Com o sentimento
Do primeiro ser humano
A colocar a cabeça para fora
De um útero materno
No princípio da formação da humanidade
Quero escrever com a dor
Da primeira mãe
Que deu à luz
Ao primeiro membro da humanidade
Quero escrever com tudo
Que nenhuma mente até hoje
Foi capaz de imaginar
Nem a primeira mente humana
E nem a última ao findar a luz
E causar a exterminação da espécie
Quero canalizar todos os pensamentos
Que já passaram por todas as mentes
Que já surgiram desde a criação do mundo
Quero passar pela linha do horizonte
Pela reta que passa no crânio
Do primeiro ao último ser projetado
Na existência do planeta Terra
Quero escrever o que falta
E o que não falta
O que esqueci e o que não esqueci
O completo e o incompleto
O tudo e o nada
O começo e o fim.

Não tenho ideias; BH, 0260801999; Publicado; BH, 0260602012.

Não tenho ideias
Nasci com arreios mentais
Senti desde cedo o arrear do meu pensamento
E a mentalidade presa por arreata
A mesma corda ou correia
Com que se prende cavalos
E burros para conduzi-los
Nasci uma alpercata presa
Em pés calejados de sertanejos
Pés duros e maltratados
Dos nossos mais simples representantes
Os retirantes caminhantes
Que fogem da seca e do sol escaldante
Vivo sem nada do que adornar-me
Não vejo como mobiliar
Nem a minha casa
Imagina a minha cabeça
Nada tenho com que me ufanar
Ovelha só sozinha solitária
Não tenho como me arrebanhar
Juntar-me em rebanho
Reunir-me com outros
Fui arrebatado de mim mesmo
Sou o meu arrebatador
Não tenho exaltação
Não vivo com êxtase
Só sinto tirar de mim a vida
Tomar meu tempo com violência
Levar à força minha alma
Só sinto arrancar de mim o amor
E privar a mim o usufruto da paz
É arrebatar-me da sociedade
A minha presença incomoda
Podeis roubar a minha felicidade
Nada mais pode me enlevar
Inflamar meu peito
Com o que vou regozijar-me hoje?
De que que tenho que orgulhar-me?
O arrebatamento que conheço
É o terror que se apodera do meu coração.

Sou como a onda do mar; BH, 0260801999; Publicado: BH, 0260602012.

Sou como a onda do mar
Não vou aprender nunca
Vou arrebentar sempre na areia
Fazer marulho contra as rochas
E voltar ao mesmo lugar
E morrer sempre na praia
Sou a arrebentação faço barulho
Contra qualquer obstáculo
Grito no abismo ecoo no precipício,
Uivo na caverna
E não espanto ninguém
Não meto medo em ninguém
Nem em criancinha assustada
Não boto ninguém para correr
Sou o Golias que Davi decepou
O Ciclope que Ulisses cegou
O et esquecido na Terra
Só sei arrebicar-me por fora
Não sei me enfeitar por dentro
E o meu exagero é superficial
Feito um arrebique de homem
Máscara de cosmético encobre a covardia
Enfeito exagerado de ser humano
Encobre o medo ridículo
Meu atrevimento é de palha
E o arrebitamento que julgo ter
Se desfaz com qualquer bater de pés
Qualquer grito me faz tremer
E me arrepiar até a cabeça
O dia em que me arrebitar
Revirar-me para cima
Emproar o meu peito
Ao armar-me da verdade
Transformarei-me então
O orgulhoso e pretensioso
No rosto o arrebol
A a cor avermelhada
Do alvorecer de uma nova vida.

Aonde anda a coragem para dizer; RJ, 030201999; Publicado: BH, 0230602012.

Aonde anda a coragem para dizer
Cristo satisfaz
Aonde anda a fé para exclamar
Cristo satisfaz Cristo satisfaz
Aonde anda a luz para iluminar
Minh'alma
Pois estou perdido
Gozo e paz que procurei
E estou sem nada
Tudo Nele achei
Só me restava morrer
E para Ele viverei
Até quando Deus quiser
Cristo satisfaz
Tenho medo de pronunciar
Cristo satisfaz
Sou covarde demais
Minh'alma
A dor que me faz sentir
Mudo e covarde e medroso
Afasta-me da cruz
A cruz do sangue 
Que Jesus derramou
Para satisfazer a vil humanidade
Quero estar ao pé
E à sombra dessa cruz.

A burrice é como a arreceada; BH, 0260801999; Publicado: BH, 0230602012.

A burrice é como a arreceada
Ao brinco de argola preso no focinho
De um touro bravo e indomável
Nunca terei uma arrecadação inteligente
Um local onde se arrecada a cultura
A cobrança constante do uso da inteligência
Nunca poderei corresponder à altura
A burrice não deixa
Nada para arrecadar de útil e favorável
Ao desenvolvimento;
Como gostaria de ser um arrecadador
De obras-primas e de obras de arte
De obras eruditas e de obras clássicas
E de obras barrocas
De obras sábias e geniais e colossais
Minha cabeça cheia de arrecifes
Minha mente de atol
Impedem a entrada de qualquer
Ato de arrecadamento em benefício
Da sabedoria e da cultura
Arreda para lá mediocridade
Fora burrice afasta tolice
Quero expressar o afastamento
O arredamento de todo o entulho
O remover de toda podridão
Que causam a paralisia cerebral
Vou arredar-me de mim mesmo
Viver arredio e afastado
Desviado dos caminhos
E esquivo e pelas sombras
Para não misturar com as pessoas normais
E nem ofuscar com a opacidade
O brilho da luz dos outros
Até que o tempo me faça aprender
O que penso ser impossível
Até que a vida me ensine a viver
O que também é mais impossível ainda
Até que sinta brotar na escuridão
O resplendor da luz da razão
Sai para lá assombração.

Minha cabeça é quadrada; BH, 0260801999; Publicado: BH, 0230602012.

Minha cabeça é quadrada
Como a minha bola
Minha cabeça é quadrada
Não tem arredondamento
Não sei arredondar o meu crânio
Dar a forma redonda como a roda
A circunferência bola roda
Só aprendi a desprezar
Todas as pequenas frações
De meus números ou quantias
Não sei tornar-me harmonioso
Tornar-me redondo desenvolto
Enrosco-me em mim mesmo
Perco-me na minha pequenez
Minha qualidade de ser pequeno
Mesquinhez e humilhação
E por meus arredores
Por minhas circunvizinhanças
Todos só querem me arrefeçar
Aviltar-me agredir-me
Desonrar meu nome
Rebaixar-me e tornar-me vil
E não suportarei mais
Mão vou arrefecer meu ânimo
Enquanto não der a volta por cima
Não vou esfriar meu ódio
Fazer esfriar minha ira
Enquanto não obtiver
Um retratamento público
Não vou moderar meus atos
Enquanto não espairecer
Minhas ideias e pensamentos
É o fim do arrefecimento
Abaixamento de temperatura
Perda de calor humano
É o fim da frouxidão
Espero ansioso
O efeito da resolução.

terça-feira, 26 de junho de 2018

E não sou um gênio; RJ, 02901201999; Publicado: BH, 0230602012.

E não sou um gênio
Nem do bem e nem do mal
Nem bom e nem mau e 
Não sei o que é a genialidade
E não sou um artista
Não sei o que é a arte
Comi capim quando era criança
Na escola tirei diploma de burro
Não enxergo um palmo
À frente do nariz
Não tenho visão para nada
Sou uma besta infeliz
Um cão danado sem dono
Fora da coleira e da corrente
Sem um quintal para abrigar-me
E não inventei nada
Nada sei inventar
E não criei nada
Nada sei criar;
Só sei chorar e lamentar
E querer que as coisas
Caiam do céu
Só sei gritar e reclamar
E quando batem o pé para mim
Começo a tremer e a correr
E um medo mortal
Se apodera do meu ser
Não sou o gênio da lâmpada
Não tenho poder
Não sei nem acabar
Com os meus problemas
Não sei nem encontrar
As minhas soluções. 

O poeta não tem a impetuosidade; BH, 0260801999; Publicado: BH, 0230602012.

O poeta não tem a impetuosidade
De um jogador de futebol
Não tem a confiança a segurança
E a disposição apresentada por um jogador
Um poeta não é de arregaçar as mangas
Enrolar ou dobrar para cima
Igual a um trabalhador
Um operário de fábrica
Um poeta não é de levantar platéia
É de levantar-se pelos próprios meios
O poeta só enxerga
Quando pode arregalar
Abrir muito bem os olhos
Esbugalhar as vistas
E mesmo assim inda enxerga pouco
Ainda é um cego
O poeta só consegue alguma coisa
Quando pode arreganhar a boca
E mostrar bem os dentes
Igual a uma fera acuada
E abrir a careta medonha
A enrugar bem a pele da face
E as pernas como se fosse chutar
E separadas como se fosse capoeirista
O poeta não é de entrar pelas fendas do arreganho
Expor a arrogância indicar a ameaça
Pois do contrário não rir
Só chora e sofre mas o poeta
Se não for no peito e na marra
Fica estendido solitário
Não resolve um ato
Não demonstra uma ação
Ou chega a uma conclusão
Não tem arrojo grande coragem
Extrema ousadia profunda audácia
Intrepidez de espírito
Não tem poesia.

A minha poesia; BH, 0270801999; Publicado: BH, 0230602012.

A minha poesia não tem
Nenhuma arregimentação
Meus pensamentos não conseguem
Arregimentar nenhuma força ou
Fazer regos nas pedreiras
Abrir gretas nas portas
Fendas nos muros
Buracos nos rochedos
Arregoar canais de irrigações
Em terrenos áridos e desérticos
Terrenos calcinados pelas queimadas
Não sei como associar
Reunir em regimento
Os meus ideais
Colocar arreios nas minhas ideias
Como o conjunto de peças com que
Se aparelha o animal para a montaria
Sou um peão amador sem adorno
E trago dentro de mim
Um animal selvagem
Que não aceita amarras
Freio e sela e cabresto
E só quer ser livre
Defender a liberdade
A verdade absoluta
Abominar a mentira
A levar a mensagem
Do fim da falsidade
Do fim da ilusão
Com a segurança
Com a disposição
De um atleta saudável
Quebrador de recordes
Ilimitado na ansiedade
De levar a minha poesia
Ao extremo da artéria cordial.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Vi a minha avó Conceição morta; RJ, 030201999; Publicado: BH, 0230602012.

Vi a minha avó Conceição morta
Alguém chorava na janela
Não lembro-me quem era;
Vi a minha avó Maria a Madinha morta
Meu pai chorava comigo no colo;
E era menino
E não entendia nada e 
Vi sargento Armindo a morrer
A sair pela porta da frente
Carregado de braço em braço
A uivar penso que de dor e 
Uma espuma branca pastosa
Escorria-lhe da boca;
Vi sargento Armindo morto
Velado na sala de visitas da casa
Minha mãe chorava num canto;
Vi meu avô Cesar morto
Na Santa Casa de Misericórdia
Do Rio de Janeiro e 
O cadáver dele estava nu numa maca
Um líquido qualquer expelia-se do pênis dele
E penso que morreu por descaso;
Vi minha tia Lourdes a agonizar
Pressentir que ela ia morrer
Tentei evitar-lhe a morte 
E eu era inútil;
Vi minha avó Naninha a morrer
O câncer a consumir em pouco tempo e 
Não cheguei vê-la morta
Não fui ao enterro e penso
Que a minha mãe
Nunca perdoou-me por isso;
Vi de perto o sofrimento e a morte
Do meu avô Donato morto
E como doeu.

Agora envergonhei-me de verdade; NL, 0180190402008; Publicado: BH, 0301102009.

Agora envergonhei-me de verdade
Com os meus atos e estou mesmo arrependido
Com os meus  gestos tão feios que nem tenho onde
Enfiar a cara de arrependimento; e o mais
Sério grave é que não aprendo com os
Erros e os repito todos de novo infinitamente; 
Meu comportamento é medonho diante das
Pessoas e parece que não tenho ideia
Da dimensão de faltas que cometo com todo
Mundo pois estou sempre a repetir as mesmas; onde
Chego já sou mal visto e todos evitam
Logo a minha pessoa e reconheço que não agrado
A não ser àqueles da minha laia ou que se
Comportam iguais a mim; minha mãe até que
Tentou moldar-me educar levar para
A religião mas nunca tive civilização e
Não discerni o mau que influenciou-me;
Estudei li livros e de nada adiantou e
Afastei-me dos caminhos que tinha para
Seguir e voltar a eles agora mais do que
Perdido do jeito que estou nem se 
Realmente quisesse; a verdade é que
Depois de certa idade que se está na
Perdição ou na maldição sabe-se muito
Bem que é um caminho sem volta; querer
Recuperar meus caminhos buscar meu tempo
Perdido de repente no fundo até que
Queira o negócio é a vontade o ânimo que
Nunca tive e nem nunca conheci; o negócio
É a raiz o romper como vício e a ruptura
Com a sarjeta e o importante seria a fé
Que nego e renego e a crença que não tenho;
Então não tem jeito não tenho salvação e continuarei
A ser o mal exemplo que sou a má companhia e a
Péssima influência; ainda bem que todos têm os antídotos
Contra mim: folhas de arruda de trevo de comigo-ninguém-pode
Ferraduras pregadas atrás das portas pé-de-coelho alho cruz
Figas terços rosários santos orações e outras rezas fortes mais.

Agora é hora de escrever meus poemas; NL, 0290502008; Publicado: BH, 01101002009.

Agora é hora de escrever meus poemas 
Minhas cartas póstumas meus epitáfios e 
Não sei quantas sepulturas terei e em quantos 
Lugares serei enterrado; se forem fazer campas 
Lápides para o meu corpo e todos os cadáveres 
Que carrego dentro de mim e féretro para todos os
Mortos e todas as mortes que sustento nas costas 
Haja caixões haja mortalhas sou inúmeros e são
Inúmeros dentro de mim e chego a sentir-me 
Pesado e presumo que serão necessários
Homens fortes e robustos para me carregarem até
Ao buraco ou ao forno de cremação; muitas
Alças para as mãos não quero choro não quero
Velas nem ladainha e nem oração; não quero canto
E nem reza velório é pura diversão; contem
Piadas e riem falem de mim mas mal nunca tive
Motivos para falarem bem; só não quero hipocrisia 
Falsidade e desdém o resto tudo pode à minha gente 
Pobre desamparada e infeliz; não quero político
Luxo e sobrepeliz; quero o lixo o caos o submundo
Ir do zênite ao fundo num piscar de olhos
Na abertura de um segundo; ruir por implosão
Roer a corda que sustenta o coração e
Parar beber o sangue matar a sede e não
Explicar e nem dá satisfação o mundo não
É diferente o mundo é indiferente inerente
A cor à falta de amor aos falsos sentimentos;
Indecente e sem decoro é um desaforo para
A lua e para o sol é um rol de impropriedades
Uma abstração para a chuva uma violência
Para a natureza inversão de costumes e
Descompostura de comportamento seguimento
Da genealogia da perda de valores e descumprimento
Dos deveres morte da filosofia velório da poesia
Edema do poema glaucoma amputação de órgãos
Com os seres ainda vivos cobaias da loucura 
Onde está o homem? procuram em mim e não encontram
Um espectro no espelho; um anjo inviável cuspido do
Céu expulso do Olimpo afogado no rio de Caronte.

Mentes para mim mentes; NL, 0201002008; Publicado: BH, 01201002009.

Mentes para mim mentes
Falas que sou bonito que sou
Gostoso e que sou famoso uma
Celebridade que vistes na televisão;
Mentes para mim mentes falas que 
Sou sarado minha barriga é de
Tanquinho e meu cabelo é de última
Moda; dizes que tenho estilo que
Sou vip e que saí na capa de" Caras"
Da" Quem "e da "Isto é gente"; mentes
Para mim falas que ama-me que
Adora-me e que sou sucesso em
Todos os canais; e ainda aumentas
E inventas mais dizes que sou rico
E que tenho dinheiro e que todas
As mulheres vivem caidinhas por mim;
Espalhas que sou sex simbol e  o mais
Elegante da lista e o mais sexy
Dos homens; relatas que dou três
Sem tirar de dentro e que te levo
Ao orgasmo a noite toda e que
Sou viril igual nunca vistes;
Mentes para mim mentes dizes que
Todo paparazi vive a paparicar-me a
Querer-me clicar e exigir fotos
Para lançar na internet e que  meu
Blog é o mais baixado e que todos
Querem saber não sei o que de mim;
Todo mundo me viu aos beijos e
Abraços e aos amassos com a vip mais
Famosa do pedaço e que de inveja
E vaidade os concorrentes tiraram as
Calças pela cabeça; vais lá dás uma
Entrevista juras choras confirmas dizes
Que era eu mesmo preenches de
Fofocas as colunas das revistas abres a
Todos esta minha vida decadente
Mentes para mim mentes.