terça-feira, 12 de junho de 2018

Zé do Rádio; Publicado: BH, 0200902009.

Meu amigo Zé do Rádio
Vem a descer a ribanceira
Na frente dele a correr
Uma mulher maneira
Atrás dela vem o marido
Na mão uma peixeira
Já vi mineiro correr atrás de queijo
Mas igual Zé do Rádio
Corre atrás de mulher
Mesmo que atrás dela venha o marido
Com uma faca na mão
E a correr mais do que busca-pé
Zé do Rádio é meio doido
Maluco de dá dó
Faltam todos os parafusos da cabeça
Amarra onça com cipó
Bebe toda cachaça que encontra
Para ver se ainda fica pior
Mora sozinho numa toca
Que nem morcego aguenta
Mesmo onde não é chamado
Chega para meter a venta
E a vida que ele leva
Arde mais do que pimenta
Lá vem meu amigo Zé do Rádio
A pular mais do que cabrito no morro
Rápido tal o jeito do catingueiro
Um dia vende tudo que tem
Para arranjar algum dinheiro
No outro até a alma: o diabo é que não é ligeiro.
Com toda experiência de vida
Causa inveja ao mundo
Engana as doenças com precisão
E engana a morte com intuição.
Este que acabei de apresentar
É que é o meu amigo Zé do Rádio
Sujeito de peito largo e de vasto coração.



Fim dos fragmentos da série "Gols Mentais."

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