quinta-feira, 28 de junho de 2018

Sou como a onda do mar; BH, 0260801999; Publicado: BH, 0260602012.

Sou como a onda do mar
Não vou aprender nunca
Vou arrebentar sempre na areia
Fazer marulho contra as rochas
E voltar ao mesmo lugar
E morrer sempre na praia
Sou a arrebentação faço barulho
Contra qualquer obstáculo
Grito no abismo ecoo no precipício,
Uivo na caverna
E não espanto ninguém
Não meto medo em ninguém
Nem em criancinha assustada
Não boto ninguém para correr
Sou o Golias que Davi decepou
O Ciclope que Ulisses cegou
O et esquecido na Terra
Só sei arrebicar-me por fora
Não sei me enfeitar por dentro
E o meu exagero é superficial
Feito um arrebique de homem
Máscara de cosmético encobre a covardia
Enfeito exagerado de ser humano
Encobre o medo ridículo
Meu atrevimento é de palha
E o arrebitamento que julgo ter
Se desfaz com qualquer bater de pés
Qualquer grito me faz tremer
E me arrepiar até a cabeça
O dia em que me arrebitar
Revirar-me para cima
Emproar o meu peito
Ao armar-me da verdade
Transformarei-me então
O orgulhoso e pretensioso
No rosto o arrebol
A a cor avermelhada
Do alvorecer de uma nova vida.

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