terça-feira, 19 de junho de 2018

Quando a morte vier buscar-me; NL, 0290902008; Publicado: BH, 0601002009.


Quando a morte vier me buscar-me
Para estudar geografia nas terras
Do além o que pode ser hoje amanhã
Ou na semana que vem quero
Estar bem preparado como convém
Para que não sofra muito e
Nem deixe sofrer por aqui alguém;
Quando a morte vier buscar-me
Para eu virar fantasma nas terras dos
Espíritos não quero ser psicografado e
Muito menos incomodado pelos mortos
Que ficarão aqui; deixem-me lá na
Minha esfera no meu plano ou engano
E não pensem em mim os que chamam-me de insano
Não bebi absinto pelos bares da noite tal Van Gogh
E todas telas que imaginei não passaram
Por minhas retinas ficaram todas na minha
Pinacoteca imaginária bem escondidas
Dentro de minhas pálpebras cerradas; e
Com ele sim e quando a morte vier
Buscar-me para pintar telas no limbo
É que realmente quero encontrar e
Da orelha e da mão na chama
Uma cortada e a outra queimada
Dessa força dessa audácia e dessa
Ousadia é que quero beber
E então encontrar meus companheiros
De orgia literária meus camaradas do
Sarau cultural meus guias meus entes
Minhas entidades; terei certeza que não
Sentirei-me simplesmente um morto;
Morto sinto-me é agora enquanto
Escrevo estas linhas mortas pois quando
A morte vier buscar-me Bandeira fará
De mim uma estrela e Quintana um passarinho
Van Gogh uma tela e Machado um
Pergaminho e com a foice e o martelo
De Portinari abrirei nas terras eternais meu caminho.

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