sexta-feira, 15 de junho de 2018

No dia em que; RJ, 02101101998; Publicado: BH, 0200602012.

No dia em que 
Deixar de existir
O que já acontece
Desde que nasci
Quero levar para a minha cova
Sepultura ou sepulcro;
Seja lá onde for
O lugar que for jogado
Se não for cremado
Todo o resto que fui
Nesta vida aqui
Se é que se pode
Chamar de vida
A ignorância que embala-me
E impera no meu ser
É que deste lado
Não evoluí
Não saí do limite
Não passei da matéria
Quero ver se do outro lado
Encontre algo melhor
Do que fui aqui
Sou uma vergonha
Sou uma timidez
Sou uma falsidade
Uma mentira atroz
E só mesmo a minha passagem
Pode acabar com o que começou
Desde que nasci
Que é a sensação
De que nunca existi
E olhar para mim mesmo é utópico
Pois a razão fugiu
E a emoção partiu
A deixarem-me órfão
No fim da vida.

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