quinta-feira, 14 de junho de 2018

E não sei o que fazer e nunca soube o que fazer; NL, 020301002008; Publicado: BH, 0201002009.


E não sei o que fazer e nunca soube o que fazer
E este tempo deixa-me louco e
Com vontade de beber e de fumar o
Mundo todo; e preciso fazer e só que
Não sei o quê e quero preencher o vazio
Dentro de mim e sinto que sou tão
Pequeno que nada cabe dentro do meu
Ser; não canto uma música não
Declamo uma poesia não falo um
Poema não sei das novidades e
Nem do que é moderno na sociedade;
Procuro e não encontro e sinto-me
Um cego num tiroteio e participante
De uma briga de foice no escuro;
Quero ser os outros e não ser que
Está em mim e vivo complicado e
Complexado e reflexão alguma faz-me 
Chegar a uma conclusão satisfatória;
Medito e não acredito e oro e rezo
E milagre algum acontece comigo;
Impotente e incompetente cedo-me
Diante da injustiça e da violência
Do meio em que vivo e vivo sem saber
O que é a vida e não entendo e
Nem compreendo o sentido de
Minha existência; parece que não
Tenho rumo e nem direção e bato
Cabeça e o meu pensamento só sabe
Desestabilizar o meu coração; recorro
À oração recorro à reza e recorro ao cantochão
E o resultado é pífio e o desempenho é
Vão e a alegria é ínfima e a
Felicidade não é o meu pão;
Mastigo tristeza e mágoa e não sei
De que e nem para que e rumino
Feito boi no pasto sempre a olhar
Sem reação o carrasco que quer abater-me
Um cego num tiroteio.

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