sexta-feira, 15 de junho de 2018

A minha caixa grande e chata; BH, 0220801999; Publicado: BH, 0200602012.

A minha caixa grande e chata
De madeira ou de osso ou de ferro
Para guardar as coisas que um dia
Vim vi pela vida à fora e armazenei
No baú craniano de concreto e marfim
E no móvel baixo e fechado bufê
Guardei de onde não sai e nem entra
O que poderia ser a metamorfose
De um ser insignificante a superior
O meu arcabouço cerebral
É a armação de uma estrutura
De esqueleto enferrujado tórax vazio
Que nem bala de arcabuz canhão fuzil
Fura e nem bala de arma de fogo bacamarte
Vara a arcada dura que trago
No alto do pescoço
E as sequências de arcos de metal
Abobada arqueada intransponível
Na curva formada por certas partes ósseas
De ossos de marfim calcificados
A luz não penetra o sol não derrete
É chapeado do mais resistente metal
Ser arcaico a sonhar em ser árcade
Ser membro da arcádia academia literária
Da sociedade romana nos séculos XVII e XVIII
Com vistas ao retorno dos ideais clássicos
Antiquado e desusado com meu arcaísmo
Com a minha forma de construção linguística
Antiquada e ultrapassada em relação
A todo determinado momento da atualidade
Modernismo avançado e comunicação dinâmica
E ser arcaizante que emprego
E possuo o arcaísmo do arco da velha
Querer que o arcanjo
O anjo da ordem superior
Reconheça-me como escritor
Literato e poeta
Realmente sou um gozador.

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