quinta-feira, 14 de junho de 2018

À minha avó Ana Felizmina dos Santos; RJ, 0210801999. Publicado: BH, 0200602012.

À minha avó Ana Felizmina dos Santos
Minha araçá frutífera e minha araçazeira
Árvore da família das mirtáceas rezadeira
Meu arbusto familiar;
Sou fruto do teu seio
Minha planta ornamental
Cansei de vê-la no meu quintal
A cortar couve para o almoço;
A assobiar pelo canto da boca
Baixinho e minha avó arácea;
Nome comum de Felizmina
Plantas monocotiledôneas
À cuja pertence as taiobas
Tinhorões e os copos-de-leite;
Minha Ana com deleite
Gostava de ver a aragem da tarde
A esvoaçar teus cabelos
Cabelos longos mui compridos,
Iguais a brisa na viração da noite;
Vinhas contar as histórias
Do Romãozinho e do Saci-Pererê
Do Pelado e da Mula-sem-cabeça;
Até hoje guardo na alma
O meu medo de menino
Com medo de te esquecer;
A tua casinha no alto do barranco
Hoje não existe mais
Teus cabelos não existem mais
Teu assobio não ouço mais;
Guardo só na lembrança
Quando ias acudir-me
Das surras que levava
Nos meus tempos de criança;
Essa e muito mais
É a minha avó.

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