sexta-feira, 22 de junho de 2018

No arrijar do meu corpo torto; BH, 0270801999; Publicado: BH, 0220602012.

No arrijar do meu corpo torto
Quando todas as minhas juntas
Tornarem-se rijas e doloridas
Não terei a quem recorrer para
Arrimar-me na necessidade e 
Apoiar-me no entardecer da vida
Amparar-me nas horas trôpegas;
Arrumar-me os passos errantes,
Pelas calçadas e ruas
No enrijar dos meus membros
Não terei de quem valer-me;
Será arriscado viver comigo
Tudo que implica risco
Fica cheio de velho;
Não poderei mais aventurar-me
Expor-me à irregularidade da pulsação
E nem arriscar-me à arritmia
Ou emoções fortes;
É levar uma vida arrítmica
Sem ritmo e sabor
Sem brilho e calor
Verdadeira vida de velho:
Leve e frágil e flácida;
Com o corpo a pesar
No máximo três arrobas
Antiga medida de peso
E equivalente a 32 arrateis
Hoje com arredondamento para 15 quilos;
No peito o arrochar o arrocho
O apertar do ar muito raro
Nos fracos pulmões o aperto e
Nas mãos os nós das dificuldades;
E nos olhos embaçados o engano
Sombras e assombrações;
No rosto a falta de arrogância e 
De altivez com a chegada do fim.

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