domingo, 24 de janeiro de 2016

Há muito tempo não tenho mais nada para dizer; BH, 03001002012.

Há muito tempo não tenho mais nada para dizer
E para que dizer se as flores dizem tudo? há 
Muito não tenho mais nada para pensar e para
Que pensar, se olho o firmamento e o 
Firmamento pensa tudo e é tudo que pensa? 
Há muito tempo não tenho mais nada para
Imaginar e para que imaginar, se quando 
Sondo o universo, o universo é tudo que 
Imagino? por isso calo-me diante de uma flor
E passo por morto de barriga para cima 
Estendido numa relva, a olhar o firmamento
E sinto-me fora do corpo ao sondar o universo;
Há muito tempo não tenho tempo para nada,
Nem para Deus, só para as minhas poesias,
Meus poemas e as minhas odes sensacionais
E é com sensação que digo isso, pois não há
Sensação maior do que fingir de morto,
Enquanto vive no infinito; é prazeroso
Demais fingir de morto, enquanto converso 
Em colóquio com as constelações; e as 
Galáxias citam para mim o que tenho que 
Ditar aos espíritos; e os espíritos prestam
Atenção quando falo, pensam que estou
Morto e que falo para eles em espírito; 
Há muito tempo não tenho nada para dizer
Aos vivos e depois que descobri o mundo dos 
Fantasmas, não quero falar com outra coisa.

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