domingo, 17 de janeiro de 2016

Há quem olha para o nada e não; BH, 02801002012.

Há quem olha para o nada e não 
Vê nada e há quem olha para o 
Nada e vê tudo; o nada está 
Cheio, composto, completo e no nada
Estão os espíritos, os fantasmas, os 
Seres aprisionados, acorrentados,
Algemados, amarrados, cativos,
Escravizados; sempre vejo esses
Seres quando olho para o nada; 
Encaro-os frente a frente e sou 
Encarado; todos dizem algo ao
Mesmo tempo, mostram as amarras, as
Correntes, as algemas; ditam ditos, gostam
De olhar e de serem olhados de 
Fundos de olhos para fundos de olhos;
E ditam ditos ao latejarem e enfeitam
Vitrais, paredes, muros, monturos; chamam
A atenção ao reverberarem no vácuo e 
Contam contos, cantam cantos, ladainhas
E outras manifestações; todas as performances
Deles são para serem observadas e muitos, de
Letras em letras, pedem para fazer dunas
De palavras; sirvo-os o que tenho e 
Camuflo com o nada, para os conhecer
Melhor; todo silêncio é pequeno e ao
Perceberem que são percebidos, despercebem
E haja eternidade para retornarem a vibrar;
E olho, olho, olho e estão estáticos, bocas
Abertas, bocas fechadas, olhos parados, cabeças
Viradas, mãos estendidas, braços erguidos,
Corpos postados, cores inócuas, incolores,
Multicores: há quem olha para o nada
E o faz posteridade, o perpetua na pele.

Nenhum comentário:

Postar um comentário