quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Todas as portas e sim todas as portas; BH, 0170902013.

Todas as portas e sim todas as portas,
Portais, portões, portarias; todas as 
Janelas, cortinas, janelões: ai que 
Falta que me faz uma abertura, uma
Fenda numa rocha, uma fresta, que,
Importa, um sentido de percepção;
Um universo de razão, ai, quem me
Dera, florisse a intuição, uma orquídea,
Uma flor mais rara, nos cumes do 
Meu coração; é que só sei dizer
Estas coisas que todo mundo diz; 
Não uso a linguagem dos animais,
A comunicação da natureza; os 
Balidos das constelações já não
Sensibilizam meus ouvidos e as 
Galáxias quando pegam corridas,
Não animam a minha torcida; um 
Buraco negro fechou-me no 
Passado, sugou-me as tripas, os
Filtros dos rins, entupiu-me os 
Canais intestinais; meus ossos 
Secaram a medula e a seiva, os 
Tutanos; um vitral, pode até ser
De capela medieval, mas que 
Deixe passar um fiapo de luz,
Preciso fingir de vivo; preciso de 
Um naco de carne viva, fresca, o 
Sangue a escorrer; um talho 
Meifingueiral, um corte de 
Magarefe, algo que abra alguma 
Coisa, algo que flua, pois o 
Meu ser está exasperante.

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