terça-feira, 20 de outubro de 2015

MIKIO, 33; BH, 0120202013.

Uma letra é um raio de uma palavra,
Que é uma luz; um homem sem
Palavra, é um homem sem luz; não
Vivo sem palavra e se perder a
Palavra, perderei a vida; a palavra
Cura a deficiência, cura o aleijão
Que trazemos desde nascença; a
Palavra é o remédio que falta nas
Bulas, nas receitas, nos diagnósticos;
Infeliz o cujo que diz não se interessar
Pelas palavras, pelas letras; coitado desse
Cujo aleijado, coxo, manco, capenga,
Pé de cabra; quem tem uma palavra,
Tem brado, imagina quem tem todas
As palavras e usa cada uma na medida
Certa, na hora certa, sem tirar nem pôr;
E já o que age ao contrário, vira mendigo,
Não toma banho, não troca de roupa,
Não corta o cabelo, não faz a barba,
Bigode, unhas, dentes; e cobre-se de
Andrajos e faz de si uma sacola de
Lixo e põe tanto ouro em cima, que
Não consegue se locomover com
Leveza, não consegue dançar com os
Ventos, bailar com o orvalho, movimentar
Com o sereno, tal o peso que carrega,
Na justificativa do vale quanto pesa; mas,
Toda palavra numa boca estúpida é cega,
Toda letra numa boca ignorante é
Estúpida; toda letra na boca que é uma
Letra é uma letra, toda palavra na boca
Que é uma palavra, é uma palavra;
Toda letra e toda palavra, numa boca
Que é uma letra e que é uma palavra,
São a luz que não nos pode faltar.

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