quinta-feira, 29 de outubro de 2015

MIKIO, 15; BH, 050202013.

Quando os pensamentos passam arreados,
Não posso perdê-los e nessa hora, com
Um salto mortal, triplo, de costas, é que
Tenho de montá-los; e quando erro o
Salto, estatelo-me no espaço e caio em
Queda livre, mas, preso no ar, em pleno
Asfalto; dos degraus das favelas descem
Os anjos noturnos com suas asas negras,
Seus corpos esculpidos em tocos de
Madeiras queimadas, seus nomes grafados
Em carvão nas paredes de carbono dos
Barracos às beiradas dos abismos; seus
Olhos de diamantes negros fitam-me dos
Fundos das retinas; não podem voltar aos
Céus de onde foram expulsos, são anjos
Pré-concebidos, que estavam nas
Incubadeiras à espera do tempo, o tempo
Que perdeu a luz que perdeu o tempo;
Todos dispersam-se e os anjos cegos
Caíram no voo; e confundiram tições em
Brasas, como as mariposas confusas com
A luz da vela; são maus esses pensamentos,
Perversas essas sombras, tenebrosas essas
Penumbras que agigantam-se titânicas,
Ciclópicas, demoníacas nas nossas
Imaginações; e somos esses seres que somos
Com membros de entes e componentes de
Entidades; somos esses fantasmas, esses
Ectoplasmas fantasmagóricos, pseudas
Pessoas que iludimos e vivemos iludidas,
Temos sem ter e ao não termos, não somos, pois,
Só somos, se tivermos, o que não podemos ter.

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