segunda-feira, 26 de outubro de 2015

MIKIO, 19; BH, 090202013.

Meu Deus, nunca escreverei uma poesia, um
Poema, uma ode à alegria; e quando passo
No tempo, a mão adormecida, pesada, vestida
De luva de boxe, cismo que devo segurar uma
Caneta, na face obscura dalgum papel; e fico
Ali corcunda, corcovado e não pinga uma
Letra no papel; parece que, quando as palavras
Vêm da eternidade, levam mais tempo a
Chegar à terra, do que a luz do sol; sem antena
Externa, parabólica, ou do tipo para naves
Espaciais, embarcações, satélites, não percebo
As mensagens universais; o papel continua
Pardo e nestas mãos entorpecidas, nunca
Será um papel iluminado; forço, faço força,
Careta, ranjo os dentes, como se estivesse
Numa necessidade fisiológica, mas, é
Justamente, aí, que, nada acontece mesmo;
Finjo pensar para impressionar os que
Observam-me e em silêncio para parecer
Sábio; ouço o tropel da poesia no vácuo, o
Galope dos poemas nas órbitas siderais, mas,
Sem antena espacial, sem radar, sonar, nada
Consigo captar; viro a página da história,
Relembro as eras inglórias, vou ao lodaçal
Dos pensamentos perdidos e desisto da
Intuição; não valeu a intenção, fechou-me
A porta da percepção e no desespero,
Peguei uma machado e cortei minhas mãos.

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