domingo, 4 de outubro de 2015

MIKIO, 56; BH, 0230202013.

Ao arrastar a carne no asfalto, a gastura
Expôs os ossos descarnados e pela auto-estrada
Foram deixados nacos, nacos de fibras;
Seixos agora estavam nos lugares dos
Meniscos e a rótula desceu ladeira
Abaixo num blomsday que caiu numa
Sexta-feira da paixão, a coincidir
Com a treze; sonhei com James Joyce, numa
Praça da sua Dublin; e fundia-se
Com Fernando Pessoa e Fernando
Pessoa fundia-se com ele; no
Paralelo, não distinguia-se quem
Era quem; Dublin era Lisboa e Lisboa
Era Dublin; e as praças e as ruas e
O fog, tudo era uma coisa só; e no
Pesadelo, o Tejo latejava em Dublin;
E fantasmagoricamente, não sabia
Se estava nas aldeias portuguesas,
Ou se era sombra no fog irlandês;
Mas afinal de conta, tudo era Europa,
Só eu que não era nem eu; e querer
Ser espectro de James Pessoa e querer
Ser ectoplasma de Fernando Joyce;
As mulheres viradoras de tripas, as
Mulheres vendedoras de buchos, de
Longe sentia-se o mau cheiro, ou de
Longe ouvia-se o zumbido das moscas
Que as acompanhavam; as mulheres
Vendedoras de mocelas, chouriços
Também com seus mosquitos verdejantes
E a catinga de carniça que agradava
Urubus; e comia-se aquilo em festins,
Em butins regados a pinga; e à moda do
Porto só conheci na dobrada do Fernando.

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