quarta-feira, 30 de setembro de 2015

MIKIO, 57; BH, 0230202013.

Nunca terei certeza de nada e desconfiarei
De todas as certezas e da forma que falho
Todos os dias, elas um dia falharão; e as
Minhas falhas só põem em risco a mim
Mesmo; e as falhas das certezas porão em
Risco as leis do universo; nunca terei a
Infalibilidade do universo e ao escrever
Qualquer verdade, tremerei a mão, pelo
Peso da mentira; e quem escreveu assim,
São todos os que vieram antes de mim,
Os donos das verdades absolutas, dos
Caminhos, da vida, dos dogmas da
Salvação; depois de morto, qualquer
Situação é favorável ao morto; depois de
Morto, os vivos não passarão de mortos
Que dormem; depois de morto, minhas
Orelhas continuarão a arder: são as
Duras palavras a meu respeito; e as
Duras palavras entram em nossos
Ouvidos e aninham-se em nosso peito;
Nada mais letal do que as duras palavras
Ditas na nossa cara; e não quero ser
Duro nem nas letras e nem nas palavras
E nem nos atos; não quero ser duro em
Nada e nem com ninguém; e muito
Menos afirmativo, confirmativo,
Elucidativo, quero um sedativo, daqueles
Que vendem nos bares das esquinas; e
Nem taxativo quero ser, quem quiser
Que seja o que quiser ser, o que quer
Ser e a mim, o resto satisfaz; as
Sobras do caos, a rapa do tacho, o
Queimado da panela; minha avó
Comia numa gamela e com as mãos
Fazia capitão de arroz e feijão.

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