quarta-feira, 30 de setembro de 2015

MIKIO, 60; BH, 0230202013.

Uma coisa aprendi com Zarathustra, o
Desprezo, o abominável desprezo e
Abominavelmente, desprezo tudo; e
Não é qualquer ser que tem o poder
De desprezar; tem que ter muita
Convicção, senão, a qualquer
Canto de sereia, cai na perdição;
Tem que ter muito dom e determinação
E do fundo do escuro do meu quarto,
Do mofo da parede, do mau cheiro das
Roupas de cama, desprezo o mundo,
Não esperei o mundo desprezar-me;
Desprezo todas as religiões, das mais
Pobres às mais ricas; desprezo o sol,
A lua, as estrelas, desprezo até o ar
Que respiro, a comida que como e a
Água que bebo; e quero estar sempre
Sozinho, desprezo a vida e desprezo a
Morte; sou discípulo de Zarathustra, o
Mais aplicado e levo ao pé da letra as
Suas palavras; desprezo deuses e
Diabos e não incomoda-me a briga
Dos dois grupos por minha alma que
Desprezo terrivelmente e nem sei
Por que brigam tanto por tal; desprezo
Tanto tudo, que não abro nem janela e
Nem porta e nem torneira; desprezo
Espelho, amor, paz, o bem, o mal; e
Quereis saber o que quero de vós e
Em dobro, o desprezo, nada mais
Além do desprezo, e ficarei grato; e
Oreis a Zarathustra por mim, a pedir
Cada vez mais desprezo para mim.

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