domingo, 20 de setembro de 2015

MIKIO, 83; BH, 050302013.

Um dia voltarei à cidade onde nasci,
Andarei nas ruas em que andei e pisarei
No chão que pisei; banharei nos rios,
Irei ao grupo escolar onde estudei
E recordarei das minhas professoras;
Visitarei as igrejas, a Matriz e o
Automóvel Clube; passearei pelas praças,
Antigos cinemas e o local onde era
A zona das primeiras gonorreias; um
Dia, voltarei à cidade dos meus quintais,
Terreiros e encruzilhadas; andarei
Descalço nas ruas de paralelepípedos
E beberei cachaça no mercado, comerei
Carne seca, queijo frescal e sentarei
No parapeito da ponte; visitarei os bairros
Da minha infância, atravessarei a
Rio/Bahia e pararei à beira do berço
Da velha Bahia e Minas; e lembrarei do
Meu velho pai ferroviário revolucionário,
Da minha mãe e a ninhada de filhos, do
Mingau de milho verde, dos caminhões
De lenha a serem descarregados e das
Minhas madrinhas; e sentirei saudades
Das minhas namoradinhas e sei que
Chorarei e beberei mais e ficarei de
Porre, pegarei um fogo como naqueles
Velhos tempos; terei muitas recordações,
Lembranças, memórias, boas e ruins;
E olharei para as casas onde morei no
Pau Velho e nos Velhacos; farei
Embaixadinhas nos campinhos de
Peladas, sim, um dia, fantasmagoricamente,
Visitarei a cidade onde cresci; e descansarei
À sombra duma gameleira mal assombrada,
Ou ao pé duma sepultura, em silêncio, no
Cemitério do alto do morro.

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