terça-feira, 29 de setembro de 2015

MIKIO, 62; BH, 0230202013.

Para fechar com alegria, deixais
Para mim, uma parte da Literatura;
A Literatura é universal, infinita
E a menor parte dela, a menor
Partícula, a que ninguém por
Ventura venha a se interessar, deixais
Para mim; com alegria contento-me
Com a Ode à Alegria, para fechar o
Dia e bem fechado, imagino; e
Imagino coisas inimagináveis
E viajo nessas ondas, nesses tubos
Como um surfista; e viajo nesses
Subterrâneos, pelas trilhas submersas,
Que ligam civilizações, ou que
Ligam o externo ao interno;
São as tripas da terra, o intestino
E sou a comida da terra e mais
Tarde o sangue das veias dela;
E onde houver uma obra-prima
Incubada, a ser chocada, meu
Papel é evidente, é revelá-la;
Não há meio termo e o preço que
For cobrado, pago para dar à luz, com
Satisfação de parturiente; os inimigos
Criticarão e nem quererão saber, mas,
No contrapeso, no contraponto, há os
Amigos, poucos, parcos, quase nenhuns;
Amigos raros, daqueles que valem
Por dez irmãos e que já bêbados, a
Não suportarem mais, inda topam uma
Saideira convosco; e ao bebermos mais
Uma juntos, com a alegria da
Chegada da madrugada, bêbados
De consciência, daqui a pouco será dia.

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