terça-feira, 22 de setembro de 2015

MIKIO, 81; BH, 050302013.

Quando a engrenagem emperra,
Nemhuma flor nasce no asfalto, um
Solo de violoncelo não é ouvido numa
Tarde, ou o vento que acompanha
A chuva nos encanta; quando a
Engrenagem emperra, a borboleta
Não nos visita, a andorinha não
Faz festa e o calango foge do muro;
De repente, tudo quando a engrenagem
Emperra, tem o sabor do nada; o menino
Chora, a mão não o nina, o pai não sai
Para trabalhar; e o marido está na
Farra, as igrejas enchem-se de fieis e
Adeptos e os bares ficam vazios; os bêbedos
Recolhem-se mais cedo, há uma expectativa
No ar, de nenhuma expectativa no ar; os
Elementos corroem as entranhas, os
Canibais modernos fazem festins com
A nossa carne, não sobra nada no
Butim do organismo; quando a engrenagem
Emperra, o leite é derramado, a vaca vai
Para o brejo, a porca torce o rabo, o político
Lava a égua: "mim dei bem com as
Verba indenizatória, do orçamento impositivo
E das emenda"; e as almas que cobram perfeição
De outras almas, dão de cara com as
Próprias imperfeições; quando a engrenagem
Emperra, o sino não dobra, o cachorro
Não late, a galinha não cisca no
Quintal, o galo não canta no terreiro
E a lavadeira não estende a roupa
No varal; não há óleo lubrificante,
Quando a areia monazítica emperra
A engrenagem da ampulheta.

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