sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Mendigo sapiens; BH, 0180902015.

Mendigo sapiens de sapiência a mendigar
Ciência e paciência; paciente de tolerância,
A ter fé na esperança, de que a luz do
Sol, que brilha no vale, amanhã trará
Bonança e todo ser será bem-aventurado;
Mesmo que seja refugiado, em terra estranha
Estado, perseguido de noite e de dia,
Passageiro da ânsia e da agonia; e
Navegado em mares encapelados, que
Desemboca em praias forasteiras, onde o
Corpinho jaz, por tudo que o capitalismo
Faz, emburrecer nações, estupidificar
Religiões, neoliberalizar sistemas dominantes,
Escravocratas, colonizadores; marcha de
Horrores, zumbis escamoteados nos derredores
Das fronteiras, muralhas erguidas de
Concreto e aço e braços armados e
Cães de dentes afiados; crianças
Chutadas, velhos pisoteados, mulheres
Secas que só têm a oferecer os próprios
Corpos, ou os das filhas, ou os das netas,
Em busca duma outra salvação,
Que não seja a eterna, a temporária,
Que atenue um pouco a aflição; e
Querem ser aceitos por um pedaço de
Pão, um pouco d'água, um espaço de
Chão; e ao fim da tormenta, voltarem
Ao torrão, agradecidos e com a certeza,
De que num futuro, se a situação for
Inversa, farão de tudo para retribuírem a
Acolhida bem recebida; e ninguém quer
Ficar longe da pátria, ser enterrado em
Terra que não seja a sua, ou ter o
Coração plantado em outro chão.

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