quarta-feira, 16 de setembro de 2015

MIKIO, 87; BH, 090302013.

O tempo fugiu a galope, o vento levou-o
Lá onde nasce o destino, aonde voltam
Os ossos rejeitados das reencarnações e
No mar sustentado pelas ossadas descarnadas,
Quando é manhã, as naus vindas das grandes
Viagens siderais, ancoram nos portos; umas
Trazem fantasmas ancestrais e outras almas
Fossilizadas costuradas nos panos das velas;
E das escoltilhas, olhares sem retinas, choram
Quando pressentem que, o que constitui uma
Notícia, é a encomendação do corpo, a pior
Parte que fica com a terra; os outros componentes
Dissolvem-se nos éteres do universo; e o tempo
Pregado em minhas costas, como uma cruz de
Madeira de lei, envergava-me; e quem era o
Carpinteiro dessas pesadas cruzes em que os
Romanos crucificavam os cristãos? eu, eu que
Era o carpinteiro que fazia as cruzes, que
Escolhia o madeiro e fiz até uma, de madeira
Nobre e bem pesada, para um homem especial
Ser crucificado; a minha curvou-me as costas,
Relhou-me o dorso, fez-me uma corcunda e a
Arrasto pelas estradas, morro acima, aos altos
Dos picos e a cruz está encravada na minha
Pele, como uma tatuagem maldita, como uma
Irmã gêmea siamesa, que nasceu colada comigo;
E os que deparam-me nas sombras dos caminhos
Mais tortuosos, fazem o sinal da cruz e dizem
Que sou uma opus dei; a maioria porém, sai em
Disparada, a gritar, a pensar que sou uma
Assombração e muitas vezes escuto o vade retro.

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