terça-feira, 8 de setembro de 2015

MIKIO, 105; BH, 0190302013.

Aos que vão morrer, nenhuma novidade,
Gestos, acenos, palavras; aos que vão morrer,
A normalidade, o óbvio, o mesmo; o
Inusual, o inusitado seria aos
Que não vão morrer; mas, quais são
Os que não vão morrer? nenhuns
Não vão morrer; aos que vão morrer,
O corriqueiro, o cotidiano, o rotineiro;
Aos que vão morrer, a religião, as orações,
Preces e rezas; nenhuma realidade,
Nenhuma verdade, nenhuma dimensão;
E aos que não vão morrer? as obras,
A eternidade do infinito; as sobras,
Os restos mortais, os despojos, aos que
Vão morrer; a estupidez, a ignorância,
A obtusidade aos que vão morrer; e
Aos que não vão morrer? as respostas,
As resoluções, as soluções; as dimensões
Universais, os espaços siderais, as luminosidades
Dos sóis aos que não vão morrer; as tempestades
Glaciais, as trevas perpétuas, os abissais abismos
Das fossas continentais aos que vão morrer;
Água de beber, um copo de leite
Para cortar o veneno da língua, pão
De trigo falso, para inchar a barriga;
Bílis, suco gástrico, pancreático, ureia
Aos que vão morrer; entranhas, vísceras,
Organismos, intestinos, sangue, nervos,
Ossos sem cartilagens, dor; aos que não vão
Morrer o amor, amor aos que não vão morrer,
O dom sagrado e consagrado, o dom do
Santuário, o dom maior, o amor; e aos que
Não vão morrer, as dimensões celestiais; e aos que
Vão morrer, os que não vão morrer.

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