terça-feira, 29 de setembro de 2015

MIKIO, 63; BH, 0250202013.

Esses desossados, cujas carnes tantos
Prazeres nos causaram, inda nos impressionam;
Esses descarnados, cujos ossos nos sustentaram
Na imortalidade, inda fazem-nos falta;
Esses desencarnados, de cujos ossos fiz altares,
Alicerces para montanhas e nas estrias desses
Esqueletos, hoje secos, outrora moradia
De tutanos, medulas, entranhas, organismos, os
Códigos estão marcados, os símbolos registrados,
Não há mais mistérios; há muitas vagas
Nas constelações, muito espaço nos aglomerados
De galáxias e essas ossadas geniais, que nos
Contaram tudo, fizeram a esfinge cair
No abismo; esses complexos sistemáticos,
Erradicaram todos os complexos, agora são
Infinitas soluções no infinito, resoluções
Eternas na posteridade; são curas na
Eternidade e nos deixaram suas receitas;
Custamos a aprender, mas nos ensinaram,
Ensinaram ao mundo a desvendar as
Conjecturas; e o mundo não aprendeu nada,
Continua na órbita errada, mesmo com
Todas as carnes que esses ossos deixaram aqui;
Outrora corações e mentes, veias
Com sangue, nervos e cartilagens; era éter,
Etéreo, névoa abissínica na escuridão
Do caos; esses ossos imortais não são
Restos mortais, são berços de onde acordaram
Obras-primas, obras de arte, todo respeito é
Pouco com essas antigas estruturas de marfim;
Essas velhas esculturas de mármore, reverência
A esses ossos reverendos, reverência, o
Infinito fica pequeno diante deles.

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