domingo, 13 de setembro de 2015

MIKIO, 96; BH, 0150302013.

Lata d'água na cabeça, lá vai
Maria de todos os dias, a subir o
Morro sem cair na folia; Maria,
Maria, canta o samba da agonia,
Canta o samba de tarde, sem nada
Poder fazer pela liberdade; lata d'água
Na cabeça, para lavar a roupa
E não pode ir brincar o carnaval;
O carnaval é uma vez por ano e
Sofrimento é o ano inteiro e que faz
Aumentar o desespero; o barracão lá no
Alto da ladeira, bem mais perto do céu,
Os passarinhos vão de manhã e ao
Anoitecer e bebem água da lata da
Maria, que acha graça, ao vê-los
Em revoadas às voltas da cabeça dela;
Lá vai ela, Maria, lavar roupa todo
Dia, aproveitar o varal da alegria e
Estender a roupa para quarar; roupa
Branca de Iemanjá, querida rainha
Mãe do mar; e depois de secar, Maria
Vai engomar a roupa para passar, no
Ferro de brasa, na tábua de passar;
Lata d'água na cabeça, um dia esse
Desespero há de acabar e Maria vai
Viver e Maria vai amar; ave Maria, minha
Preta encantada cheia de graça e
De noite ao pé do oratório: armaria cheia de
Grassenhoré cunvos bindit frut voss vent Jesus
Santmaria mãe de Deus rogaipurnóspecadors
Téaora da noss mortamém; e sozinha deitou
Na cama de palha a espreitar as estrelas pelas
Frestas no telhado do barraco e
Adormeceu a sonhar como amor dos anjos.

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