segunda-feira, 28 de setembro de 2015

MIKIO, 65; BH, 0270202013.

Penso que, o que deveríamos entender, é
Que, a cada dia que passa, caminhamos
Mais ao lado da morte, estamos mais ao
Lado dela; a cada segundo a morte se
Aproxima mais dos nossos calcanhares
E quanto mais pulamos, na tentativa de
Livra-nos, como uma sombra, a morte
Está sempre a arfar nas nossas nucas; e
Passou da hora de despirmos das nossas
Vaidades, despirmos das nossas
Intolerâncias, passou da hora de
Rasgarmos as nossas vestes e nos
Cobrirmos com cinzas e nos vestirmos
De estopas e panos de chão; e compensa
Morrermos em vão? com a mesma
Ignorância, ou estupidez que adquirimos
No decorrer da vida? compensa teimarmos
Na mediocridade? não apresentarmos
Nenhuma perplexidade diante da nossa
Pequenez? vamos crescer para a morte
Ter bastante trabalho na hora de nos
Levar; vamos ter a consciência imensa,
Infinita lembrança, para que a morte,
Fique bastante cansada ao nos carregar;
Se formos fluidos, flatos, seremos uma
Heresia para a morte e num sopro, ela
Nos levará; então, transformemo-nos
Em montanhas rochosas, em desfiladeiros
De pedreiras, para que ela pense duas
Vezes antes de mexer conosco; façamos
De nossos pensamentos firmamentos e
De nossas obras infinitos e quando a
Morte der o grito, quem se assustará
Será ela; sigamos sem orgulho, vaidade,
Desamor, sigamos sem soberba, ambições,
Com a morte debaixo dos nossos tacões.

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