segunda-feira, 14 de setembro de 2015

MIKIO, 92; BH, 0110302013.

Não gosto nem de lembrar, mas, a memória
Não mata e a lembrança vem sempre
Ressuscitar o meu passado; não foi um
Grande passado de conquistas e vitórias,
De lutas e glórias; foi um passado que
Marcou-me por dogmas e tabus, dos quais
Inda não livrei-me; e um passado mal feito,
Mal formado, mal passado, irá atrapalhar
Para o resto da vida; e foi o que não
Consegui perceber e aí, é apelar para as
Lamentações; e até as coisas mais simples,
Que estão no mundo há milênios,
Encerram-me num baú, numa arca de
Histórias mal contadas; histórias sem finais
Felizes; histórias tenebrosas de meterem
Medo em defuntos e zumbis; não gosto nem
De lembrar, mas, todo dia tenho que acordar,
Não posso continuar a dormir e acordado,
Sou perseguido por pesadelos que, não os
Teria, se estivesse no sono; e fico com medo
De dormir, pois, durmo e também sonho
Com o meu passado; e viro um morto-vivo,
Que não pode dormir e nem pode viver
Acordado; e nem com cunha batida por
Marreta, consigo abrir uma fenda, para
Sair de dentro os pilares, as vigas, as
Colunas, as pilastras deste esqueleto que,
Teima em ser reencarnado; não gosto nem
De lembrar desta descoberta paleontológica
Que definiu os ancestrais do ser humano
Antigo que habita o passado que habita-me.

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