terça-feira, 1 de setembro de 2015

MIKIO, 122; BH, 0290302013.

Ai, se tomasse um grande susto agora,
Que, desse-me um empurrão, ou um
Esbarrão para a frente e não que
Levasse-me ao chão; ai, se fosse
Despertado agora, com um clarão, ou
Um relâmpago acompanhado de
Trovão, ou um raio qaue partisse-me
Ao meio e tudo o que é vão; ai, se
Rompesse agora como rompe a
Aurora e quebrasse a bolsa da
Placenta e saísse ao dia, como sai a
Poesia e a espuma branca transborda
Pela borda da bacia; o sol não é para
Todo dia, a lua não é para toda noite,
Mas a poesia é para todo dia, mais
Do que o pão nosso, a poesia é
Coração; ai, se respirasse agora, como
O prisioneiro respirou ao deixar a
Caverna, segundo Platão; sim, pararia
Com tanta lamentação, águas nos
Olhos e mágoas no peito; e viveria
Com defeito, mas a procurar a
Encontrar a causa e atenuar o efeito; e
Com a mesma altivez com que o
Pássaro ignora-me, rir de mim, nas
Minhas estupidezes poéticas e
Ignorâncias líricas e fraquezas
Intelectuais; o pássaro deu de ombros
Para mim e sempre dará de ombros
Para mim: é um pássaro, foi concebido
E determinado a ser um pássaro, a ter
Um firmamento e fui determinado a ser
Vão e indeterminado.

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