terça-feira, 22 de setembro de 2015

MIKIO, 80; BH, 050302013.

Antes da morte chegar, lavrarei o meu
Testamento, nesta escritura de
Emaranhado de letras e palavras; e
Isto é simplesmente para enganá-la,
Anda ávida a beber o meu sangue,
Desencarnar-me, descarnar-me e
Desossar-me e faço testamento para
Ela pensar que já estou perto de partir;
Mas, o meu caso é prolongar-me neste
Testamento, para iludi-la da melhor
Maneira possível; envelheci rapidamente
E sempre, ronda-me como uma ave de
Rapina, abutre do ombro do barqueiro
Caronte; urubu de teto de casa
Mal assombrada e para distraí-la,
Imortalizo-me nestas letras pobres,
Nestas palavras vãs, mas, que poderão
Ter um efeito ilusório de prestidigitador,
De falso taumaturgo, de pseudo
Testamenteiro inventariante inventador;
E não quero acabar os meus dias, igual
Ao filho do Cachimbo, que quando
Cachimbo morreu do coração, ficou a
Perambular largado pelas ruas da
Cidade; a última vez que vi o filho do
Cachimbo, ele andava de costas, só
De cuecas, todo encardido de tiriricas,
Pela contra-mão da Rua do Rezende;
Não quero acabar os meus dias assim
Loucamente, mais louco do que já sou;
E uso palavras de demente, uso letras
De bêbado, frutas da insanidade, que
São para a morte, uma volta nela; e
Se outros quiséreis bisbilhotá-las, não
Façais cerimônias, achegai a tempo.

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