terça-feira, 22 de setembro de 2015

MIKIO, 78; BH, 030302013.

Não chamarei a atenção, passarei
Incólume e anônimo pela multidão,
Pois, não chamarei a atenção; não
Despertarei interesses, passarei
Sem acordar ninguém; não farei
Barulho por um punhado de letras
E nem gritarei por bocado de
Palavras; quem ecoam os gritos
São os desfiladeiros, que são
Largos e profundos e minha
Garganta não ecoará nada; continuo
Com a boca seca e engoli toda a
Saliva, a língua está áspera, parece
Língua de gato, ou de gado, cheia
Reentrâncias; não tomarei o
Remédio receitado pelo médico,
Sou do tempo da bruta, quando
Remédio era muito alho, muita
Cebola, limão, pimentão, pimenta,
Salsa, coentro, cebolinha, couve,
Taioba, mel, cachaça, conhaque,
Vinho e não tomar remédio por
Nada, remédio mais estraga do
Que cura e já sou muito doente
De longo tempo; e não farei alarde
E nem algazarra, quero curar-me,
Mas com o que a natureza pode
Oferecer-me, como o que
Curava-me a minha avó e ela
Sabia de muitas curas, era
Rezadeira e benzedeira e sempre
Dava certo; não atiçarei a galera
Na galeria e na gare, não pegarei
O trem da história, deixarei aos
Que querem visibilidade; quero
Sótão, porão, estar debaixo do
Assoalho, bem ao meu estilo no
Rés do chão; quieto, na moita,
Mudo a estreitar a moda a brotar,
O botão a abrir, a flor a florir, o
Fruto na árvore do pomar; estou
Ao Deus dará, não chamarei a
Atenção, deixa como está.

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