quarta-feira, 30 de setembro de 2015

MIKIO, 61; BH, 0230202013.

Antes tivesse morrido, a ter pedido,
Pedi, humilhei-me, pedi, a quem
Nunca soube dar; e desgraçado de
Mim, malgrado meu, pedi errado,
Pedi para quem uma migalha é
Banquete, um resto faz falta, uma
Sobra é a salvação de tudo; pedi, é
A pior coisa que pode acontecer à
Vida de um homem que se diz
Homem, pedir; e pedir para quem
Dar é morrer e pedir para quem
Uma moeda vale mais do que um
Queijo a rolar ladeira abaixo; diabos,
Para que fui pedir? antes tivesse
Morrido e agora, arrasto arás de
Mim uma maldição, pois pedi a
Quem não sabe dever, a quem
Amaldiçoa a vida toda a quem
Pede; e roga praga e não esquece
O pedido, para quem o que foi dado,
Fosse como um membro do próprio
Corpo arrancado sem anestesia;
Miserável, ouço o ódio à toda hora
Aos meus ouvidos, sinto o ranger
De dentes, a ira e a raiva; sinto o
Rancor destilado e a cólera, por
Ter cometido o erro de ter pedido;
Mas ficou uma lição, morra de sede,
Mas não peça um copo d'água, morra
De fome, mas não peça um pedaço
De pão; poderás morrer envenenado,
Ou engasgado, pedi, e não durmo e
Quem deu, com certeza não deve nem
Viver, por jamais esquecer o que
Foi dado, ou até mesmo emprestado.

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