domingo, 27 de setembro de 2015

MIKIO, 67; BH, 0270202013.

Porra, cacete, caralho, estou a ficar velho,
Chato e desbocado; meu rabo já parou
De arder, o ovo que estava a botar,
Recolheu-se e agora só as dores da
Ossada envelhecida; dentes na boca
Não há mais, só as crateras, tais as que
Os meteoritos e os meteoros deixam
Na lua e nos planetas; da visão, só o
Sentimento de galo velho, cego, sem
Quintal, que para a panela não vai,
Devido possuir carne tão envelhecida e
Estragada; dos trapos ficaram os
Farrapos, os andrajos, outrora uns
Fatos domingueiros; dos aromas, um é
O indefectível mau cheiro de inhaca que
Cada rabugento carrega; a outra é a tal
Da catinga que habita corpo morto; é o
Bodum característico, que afugenta até
As moscas; se tropeço, é um palavrão,
Puta que pariu, é palavra de baixo calão,
Que na boca velha vira oração e velho
Que se preza, não fica a bater queixo de
Terço nas mãos, em bancos de igrejas,
A ouvir ladainhas de padres sem futuro;
E quando vem flatulência, a pensar que
É de ar seco, e vem é borra de geleia;
É um Deus nos acuda, principalmente,
Se estiver dentro de ônibus lotado e
Os passageiros começam a sentir os
Sintomas do borreiro; porra, cacete,
Caralho, estou a ficar velho, um gato
Velho borralheiro de botas furadas.

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