sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ai quem me dera viver; BH, 0200402000.

Ai quem me dera viver, 
Sentir-me livre do teu amor
Anabrótico e corrosivo;
Ai quem me dera estar longe
De tudo que é relativo a esta
Anabrose, que rói as entranhas
Dos meus ossos; chega de
Ulceração superficial, teu amor
Só me faz mal; gosto de sofrer
Profundamente, ter o anabolismo
Negativo, alterado o balanço
Positivo; e que as transformações
Que sofro no meu organismo
Desequilibrem as substâncias
Nutritivas; e que toda assimilação
Anabólica, seja como uma anabiose,
Numa suspensão das funções vitais;
E todo meu organismo vegetal ou
Animal, por congelação dos meus
Nervos, que por dessecamento
Dos meus membros, sem a revivência
Das minhas forças, depois de toda
Noite de amor; e de manhã, sou
Uma anabi, arbusto da família das
Loganiáceas; e que mesmo a ser um
Anabenodáctilo, animal que tem os
Dedos conformados para trepar,
Não consigo galgar sequer um degrau
Na vida; não consigo crescer mais
Do que uma mulher anã, de estatura
Muito inferior ao normal; e não passo
De uma piquira, uma peva pedra
No rés do chão.

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