sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Estou em agonia; RJ, 090501996.

Estou em agonia,
Entre o delirium tremens
E a extrema unção;
Já chamaram o padre
E o sacristão;
Acenderam a vela,
É a última vela;
E vejo a frágil luz,
Entre a abertura e os
Cílios e pestanas de
Minhas pálpebras;
Escuto ao longe vozes e murmúrios,
Alguém parece chorar;
Não percebo ao todo,
Sussurros e lamentos
E no finalzinho,
Um resíduo de felicidade,
Uma migalha de orgulho;
Alguém inda chora por mim;
Cai o pano,
Cai o véu,
Breu e escuridão,
Bonança e levitação,
Um resto de mente no espaço,
O pensamento a fluir no ar;
No rosto quase imperceptível,
O final de um sorriso,
O eco distante de uma voz,
Morreu feliz.

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