sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Tem que bater-me com cajado; BH, 0401102999.

Tem que bater-me com cajado,
Espancar-me até moer-me,
Curvar-me a cajadadas,
Dar a forma de cajado,
Às minhas costas;
Tem que deixar-me recurvo,
De cabeça baixa igual porco,
Orelhas caídas a cobrir os olhos
E onde não consiga
Nem elevar a cabeça,
Para olhar o pé de acajá,
Nem mesmo ver a fruta
Ou desfrutar o cajá;
E que seja expulso,
Do açaizal, bosque de açaizeiros,
Igual eles foram expulsos
Do jardim do Éden;
Já que no meu ser,
Não existe lugar para acairelar,
Ou guarnecer de cairel,
Borda de prender alma,
Extremidade de espírito,
Orla de sentimento,
Beira de abismo,
Debrum de acairelador;
Acairela no cercado,
Não há beira de apoio,
Uma amarra de gancho salvador,
Um forte acairelado,
Que dê garantia ao fim da dor,
Da angústia do medo,
A covardia extrema,
Que enfraquece o amor.

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