segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Ansiado por algo; BH, 0250802016.

Ansiado por algo de inusitado que não 
Acontece, uma febre, uma gripe, um resfriado,
Uma constipação, uma infecção; assombrado
Por medo da realidade, sem conhecer a 
Verdade, assustado pela covardia unânime
Na alma, no ser, no espírito e a depressão
Que prostra o corpo no chão; é um abcesso 
No cérebro a latejar a razão, um tumor no 
Cerebelo a detonar a intuição; e a percepção
Fica escondida atrás das retinas bombardeadas
A lazer; analisada por caleidoscópio, a 
Paisagem para de vibrar e a fímbria 
É o fim do universo, que começa o 
Inverso, a guiar uma mão que 
Implora um pedaço de pão, ao som
De um trovão, à luz de um raio de 
Premonição; ai, quem me dera ser 
Aquela vela, a perder-se além daquele
Horizonte daquele oriente; não é uma
Vela, é uma estrela, é uma toalha branca
Num varal a corar; minha mãe foi quem
Estendeu, depois de lavá-la; é muita roupa,
Pouco sabão, água quase nenhuma, tanque 
Não tem, é pedra, é anil, na beira do 
Rio, lá se foi a pele da mão; a preta
Ajudava, calada, não sabia falar, não
Sabia escrever, não sabia rezar, mas,
Sabia foder; e dava para uma fauna  
Sedenta, de quem não tinha o 
Que comer; um dia, cansado, o
Tempo parou alquebrado, as horas
Caíram dos telhados e a noite adentrou-se,
De boca aberta, a engolir o dia e a vomitar
Astros na imensidão, e os enamorados correm 
Aos beijos, ao amor, às juras de vida eterna.

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