sexta-feira, 23 de maio de 2014

Patagônia, 927, BH, 01901002011.

Ansioso,
Volto a cabeça para cima
E quero beijar a primeira estrela que passa;
O pescoço estala,
A nuca enrijece,
Por toda uma eternidade a olhar para atrás,
A olhar para baixo,
Ao ter o queixo rente ao chão;
Quase rastejo,
Réptil anfíbio,
Molusco
E nenhum brilho chega a mim;
De brincadeirinha,
Penso em existir,
Em viver
E de brincar de esconde-esconde,
Com os astros do céu ,
E finjo não sofrer;
Visto a fantasia de mendigo de raios de sol,
Cubro-me com a carapuça de poeta,
Com o manto da poesia;
Evito deixar escapar por entre o fragor do alcantil
E as escarpas das serras,
O poema que elevará este barão assinalado,
Ao berçário imortal dos clássicos
E à incubadeiras das imaginações celestiais;
Deu cãibra nas articulações,
As vértebras estalaram;
O corpo aprumou-se,
Rígido,
Esquelético,
A pele encobria o osso inda calcinado;
O esqueleto passou por entre as moléculas de ar
E a bruma alvejo-o,
Como se fosse de mármore,
Uma escultura de marfim;
Nas encostas deixou o rosto mumificado
E nu,
Banhado em bálsamo,
Envolto em espermacete
E âmbar azul,
Jamais visto em outro céu,
De firmamento puro,
Sem ânsia de chumbo
E manchas de fumaça;
Livre das tiras de linho que o envolviam,
O cadáver viu-se na fímbria;
Mal pisava o chão,
Não sentia os pés
E correu pelas nuvens como se levitasse;
Amamentou estrelas,
Deu cria a querubins,
Constelações de anjos que ainda não nasceram,
Em jubilações
E anunciações de galáxias refrescantes.

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