quinta-feira, 22 de maio de 2014

Agora é tarde; BH, 02001002012.

Agora é tarde,
O leite está derramado
E a luz apagada;
Quando era tempo de esperança,
Fartura,
Bonança,
O futuro ficou esquecido,
O passado não serviu de lembrança 
E o presente escorreu entre os dedos;
Aí alguém gritou no mar:
Agora é tarde,
O navio levantou âncora
E zarpou,
Embrenhou a quilha nas ondas;
Ouviu-se um suspiro vindo lá do fundo 
E sentiu-se a insegurança do gás carbônico que foi expelido;
O oxigênio que foi inalado,
Não apagou a impressão,
Que cada mal estar causa,
Quando as coisas não correm bem:
Pressão alta,
Veias entupidas,
Tonturas,
Suores,
Calafrios;
Sim,
Agora é tarde,
As dores estão aí,
Orgânicas e inorgânicas;
Soluços abafados e vozes que sussurram
Murmúrios lamentosos de desesperança;
Quem mandar não se preparar para o tempo do porvir?
E antes do tempo do porvir,
São sentidos remorsos e capitulações;
Não há bastião para se apoiar,
As badaladas do relógio são ouvidas,
Como as últimas badaladas do coração;
Ouviu-se um retinir de sinos bem distante,
A manhã pode ser que seja melhor,
Ressoam,
Mas o amanhã é hoje,
Ecoam o macabro agora é tarde;
Baixou-se uma noite
E não há na memória,
A lembrança de noite tão memorável;
Não há registro dela na recordação
E foi uma noite que não trouxe sonhos
E notou-se,
Nem pesadelos;
Que noite estranha,
Diferente,
As entranhas dela não pariram madrugada;
Uma eternidade depois,
Quando enfim,
Conheceu-se o dia,
Descobriu-se numa parede um rabisco de negrito:
Letras e palavras indecifráveis,
Mas as pedras das paredes reverberavam:
Agora é tarde.

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