sexta-feira, 16 de maio de 2014

PDG, Alvarenga Peixoto, 1455, 6; Olho à procura dum olho que enxergue mais do que o meu; BH, 0270102012.

Olho à procura dum olho que enxergue mais do que o meu
E que ajude-me a ver o que o meu olho seco não consegue ver;
Todas as luzes estão acesas
E sinto que a madrugada é de trevas;
Pego a lanterna
E saio na noite a procurar as sombras;
E todas se escondem atrás dos monturos 
E dos murundus,
Como escondo-me da luz,
Quando iluminam-me,
Com os falsos holofotes da mediocridade;
Inda sinto-me cravado no calvário da estupidez
E pregado no madeiro da ignorância;
Luto para sobreviver sem a bizarrice
E fujo da morbidez que acompanha-me,
Irmã gêmea;
Em toda esquina paro para escutar as palpitações
E assusto-me com o arrastar dos meus pés;
Os meus murmúrios,
Os meus sussurros
E oscilações metem-me medo,
E corro das minhas vibrações;
Reverbero-me nas quebradas a esconder-me
Das assombrações das minhas imagens refletidas nos espelhos 
E em cada reflexo vejo um prisioneiro acorrentado
E indignado ainda;
Então disse de voz embargada ao meu ouvido surdo,
Mouco, ou de mercador,
Algo que não pude ouvir,
Apesar de ser o mesmo que soprava algumas palavras,
Que resgatassem-me das cinzas:
Não foi desta vez que ressuscitei;
Tentarei em outros patamares,
Soprarei novas palavras
E alguma trará a mim a chave do meu segredo,
Que abrirá meu cofre,
Meu baú,
Minha caixa preta,
De pandora,
Minha arca de Noé,
Tumba de faraó,
Sarcófago milenar
E olho de novo o velho
E vejo a olhar para mim,
Um velho de novo.

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