segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 52; BH, 020902912.

Perdoais estas minhas lágrimas, é que
Tirei o domingo para chorar; perdoais
Este meu pranto, é que escolhi hoje
Para lamentar; quero gemer sem
Parar, ai, ai, ai, ai, quero chorar,
Porra, chorar muito, caralho, preciso
Chorar; deixais-me chorar, assim
Que se escreve, ou como é? não sei,
Porra e nem quero ter motivo para
Saber; quero chorar e se tendes, ou
Não motivo, chorais também por
Alguém, por qualquer coisa e se não
Chorais, parais agora, saiais de perto
De mim; só quero companhia de quem
Chora, de quem gane, de quem faz
Igual os pretos faziam debaixo das
Chibatas atados aos pelourinhos;
Chorais para lavar aquelas pedras,
Onde o sangue deles fico marcado;
Chorais igual os pretos faziam, quando
Chegavam à Porta da Viagem Sem
Volta; salve, Mandela Mandiba, mau pai,
Salve, Mandiba Mandela, é, sou assim mesmo,
Chorão, meu pai velho; não fica com
Vergonha do teu filho chorão; é muita
Dor em meu peito, é sofredor o meu
Coração; Pessoa, neste momento não
Finjo, a única prova que tenho do meu
Pranto, é este canto; tu, que é uma
Fortaleza, nunca me mostraste um
Choro teu; e moraste na África e
Conheceste vários de ti dentro de si
E nenhum derramou uma lágrima; mas,
Lamento, tudo para mim é tormento e
Alguém aí, diz para amim assim: perdoo-te.

Nenhum comentário:

Postar um comentário