terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 64; BH, 070902012.

Tu, viajante, quem és? um velho à procura
Do nada e quando chego perto, olho
O horizonte e vejo, que está bem mais
Distante e tu, quem és? um velho em
Busca de letras velhas, de palavras velhas,
Acorrentadas em profundas cavernas e
Que não gosta de nada que é novo;
Não gostas de nada que é novo? sim, o
Novo e o belo reluzem, brilham, faíscam,
Atraem; é a vaidade que faz isso, é a inveja
E o orgulho e penso que já estou desprendido
Desses sentimentos, gostas do que é novo?
Gosto dos novos horizontes, dos novos
Infinitos, dos universos bebês, que nascem
Todo dia; então, não explicaste-me de qual
Brilho gostas, de qual faísca, o que que reluz?
Exatamente, os astros mais longínquos e que
Aparecem aos nossos olhos como faísquinhas;
Tens encontrado muitas palavras velhas, muitas
Letras velhas velho? algumas, tão antigas, que
São indecifráveis e viraram símbolos e outras
Letras, de tão velhas, não pertencem a nenhum
Alfabeto e para encontrá-las, é necessário ir
Aos locais mais inacessíveis à vida e à luz; e
Para que tanta obsessão com essas letras e com
Essas palavras anciãs ancião? é que pretendo escrever
Um poema, que seja pai de uma poesia, que
Tenha no genoma o dna do classicismo perdido;
Velho, penses numa coisa, quando encontrares
Essas letras senis, essas palavras decrépitas
E fizeres esse tal poema, essa tal poesia, todos
Chamaremos de novo, de inédito e vens com
Essa de que não gostas de nada novo,
Já ao asilo, velho; tu, viajante, quem és?

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