sábado, 6 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 26; BH, 0210802012.

Todo dia de manhã, menino, recebia
Na varanda da casa do Morro dos Velhacos,
Frases, sentenças, períodos, orações, cores,
Nas cores dos primeiros raios de sol, que surgiam
Lá dos lados do poente; menino, morros,
Montes, montanhas, cordilheiras, picos,
Sempre estivemos entrelaçados uns
Com os outros; menino, sol, raios
De sol, luz, cores, também sempre estivemos
Engendrados; menino, noites, noturnos,
Madrugadas, madrigais, brisas, serenos,
Orvalhos, nunca nos separamos, inda
Agora, que os tempos nos separa; apesar
De distantes nas eras, não deixei de
Ser menino e inda piso devagar,
Para não espantar os sabiás; e essas
Coisas bobas vislumbram-me, deixam-me
Extasiado com qualquer manhã;
Ora que encontro-me do lado do
Frio, com neve a cobrir-me a fonte,
Cinzas geladas a embaraçarem-me as vistas,
Trevas a obliterarem-me as modernas
Avenidas, nostálgico, sozinho, choro
Ao recordar a varanda da casa do
Morro dos Velhacos; menino, casa,
Varanda, alpendre, quintal, sempre
Estivemos dependentes uns dos outros;
E quando íamos embora, chorávamos
Abraçados; quantas riquezas perdi em
Toda a minha vida de mudanças,
Varandas que abandonei, quintais que
Esqueci, árvores que não trouxe
Comigo; como gostaria de estar de novo
Menino na glória deste meus destinos.

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