domingo, 21 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 61; BH, 070902012.

Todo menino tinha um muro e aquele
Muro, não era para o emparedar, mas,
Para o menino o transpor, subir, brincar,
Pular de cima, ou para, pura e simplesmente,
Assistir as peladas, observar a tarde e tudo
O mais; e todo menino tinha uma corda,
Que não era para enforcá-lo, mas, para
Fazer um balanço, brincar de escoteiro,
De laçar vira-latas nas ruas, ou para bater
E as meninas pularem; e todo menino
Tinha uma bola, era o seu troféu e com a
Bola, o menino era o rei dos campinhos;
Todo menino tinha um cachorro fiel, um
Cão que o acompanhava a todos os
Lugares e entendia tudo que o menino
Fazia; todo menino tinha seu tesouro,
Onde escondia as bolinhas de gude, latas
Com terra e minhocas, coleção de ferrinhos,
Pelotas para estilingues, linhas para soltar
Papagaios; todo menino não gostava de
Estudar, a única ambição era a de ser
Menino; e não gostava da Matemática e
Nem dos seus números, mas de nadar
Nos rios, colher frutas no mato e caçar
Passarinhos; todo menino era rico e não
Sabia, era livre e não sabia; e tenho um
Segredo para contar e que nunca
Contei para ninguém; é um segredo só
Meu, que sempre guardei em meu
Coração, igual todo menino guardava
As suas coisas numa caixa, ou num
Baú velho: nunca deixei de ser menino.

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