sábado, 20 de dezembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 59; BH, 040902012.

Nas estranhas entranhas subterrâneas, subitamente,
Deparei com um tesouro, um ossuário com esqueletos
Intatos de gente de vários teores: uns de marfim,
Outros de mármore, como se fossem das alvas
Montanhas de Carrara; e outros, ainda, de ouro
Branco e mais adiante, caveiras nobres de platina
E prata e variados metais desconhecidos; então,
Pensei com meus velhos e encardidos ossos: estou
Rico, que maravilha de tesouro, mais caro do que os
Das Minas do Rei Salomão; comecei a fazer um
Levantamento e a calcular num inventário em cifras, o
Que me representaria e onde poderia os vender no
Mercado, ao melhor preço de ocasião; meus velhos e
Encardidos ossos, numa rebeldia inesperada, se
Enciumaram: velho ingrato, a nós que aqui estamos, que
Sempre o carregamos aos lugares que desejavas ir,
Nunca nos fizeste festas, por nos encontrar sempre
Contigo; já a esses esqueletos milenares, que com o
Tempo viraram marfim, ouro, platina, prata, mármores,
Variados metais desconhecidos, tu calculas quanto
Valem; e nós, não valemos nada? nós que o sustentamos,
Velho, quando tremes alquebrado e com medo de cair;
Meus ossos que me levais, por mais caros que sejais
Para mim, onde, por ventura, encontraria quem quereria
Pagar, um preço bom por vós? nos açougues das
Cidades estão à venda ossos inda frescos, com
Nacos de carnes, com cartilagens, tutanos e com
Preços bem mais em conta e que podem ser
Aproveitados num suculento ensopado.

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