terça-feira, 24 de abril de 2018

Nunca fiz por atrever-me: BH, 0220801999; Publicado: BH, 030502012.

Nunca fiz por atrever-me,
Por determinar-me a algo arriscado,
A demonstrar fé e coragem;
Nunca fiz por tornar-me insolente,
Por ousar a confiar nas próprias forças;
Quem dera se eu,
Fosse atrevidaço,
Grande atrevido e intrépido;
Estou mais para bundão,
Do que para atrevidão;
Nunca tive atrevimento
E tenho inveja de homens,
Cheios de insolência e destemor;
A única atribuição a mim,
É o próprio medo;
A única faculdade que me atribui,
Que o cargo me dá,
À minha pessoa,
Para exercer,
É a covardia;
Nada resta na natureza,
Que me seja atribuidor;
Nada existe de razão,
Que se me pode atribuir,
Aplicar atos e qualidades,
A alguém que não os têm;
A falta de competência,
O arrogar de mim a fé,
O brilho atribuível,
Que não sei carregar;
E isso tudo só faz aumentar,
A minha tribulação,
A atribulação cordiana,
Que não para de me trair.


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