terça-feira, 24 de abril de 2018

Vivo atribulado; BH, 0220901999; Publicado: BH, 030502012.

Vivo atribulado
E não consigo serenar,
Tranquilizar meu ser;
Sofro atribulação diária,
Sem paz e sem calma;
E o meu teor atributivo é zero
E não há nada que indica,
Um atributo ou qualidade a mim;
Sou um ser que,
Cada uma das propriedades,
Já perdeu o símbolo;
Não anuncio o sujeito gramatical,
Sou o sujeito oculto, indeterminado;
O meu atril está velho e caído;
O meu móvel próprio,
Para sustentar livros e papéis,
Está aberto, sem portas, destruído;
Assim me sinto no átrio,
No terraço elevado,
À frente de um templo;
Abandonado no saguão,
Sozinho no pátio cercado de pórticos;
É de atritar a minha dor,
Provocar atrito na solidão,
O contato sob pressão de dois corpos,
Que se roçam um no outro,
No vai e vem do ranger da cama,
Na fricção entre esses dois corpos,
No desentendimento de lençóis e fronhas;
A mulher uma boa atriz,
Que faz de gemidos representações,
Como se fosse em teatro, cinema, televisão,
Espetáculos em geral;
A mulher tem habilidades para fingir,
Finge até que está a ter orgasmos.

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