quarta-feira, 1 de abril de 2026

ERASMO CARLOS:


 

PEDRADA, CHICO CÉSAR:

 Cães danados do fascismo

Babam e arreganham os dentesSai do ovo a serpenteFruto podre do cinismo
Para oprimir as gentesNos manter no escravismoPra nos empurrar no abismoE nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Cães danados do fascismoBabam e arreganham os dentesSai do ovo a serpenteFruto podre do cinismo
Para oprimir as gentesNos manter no escravismoPra nos empurrar no abismoE nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Fogo, fogo (queima)
Fogo, fogoQueima, Senhor! (queima)Todo homem que oprime outro homemPor ganância, por dinheiroFaz da nossa revolta teu incêndioCada um de nós tua fagulha, SenhorE queima a BabilôniaSalve, Jah!Fogo, Jah!
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!

não aprendo até hoje não aprendi

não aprendo até hoje não aprendi
nem no futuro aprenderei que as
coisas estão no universo só que 
preciso aprender das leis universais
dos princípios das virtudes das
relações estelares das interações das
galáxias dos intercâmbios entre os
infinitos aglomerados de estrelas de
constelações porém meu bruto coração
não é fruto não é fruta pão é pau é
pedra é torrão não me deixa ver além
do meu nariz não me faz dar um passo
à frente de todos os meus passos
quando vejo caminhei em círculos
andei apara atrás dei marcha à ré
agourei minha mãe meu pai não saí
do lugar comum fechei todas as portas
os portais as janelas me isolei no visgo
da resina me colei com os pés presos na
cola veio um físico amigo cortou minha
força de gravidade mesmo assim não
levitei era pesada demais a minha
consciência que me fazia inconsciente
tinha a alma na umidade tinha o ser no
breu tinha o espírito de porco espinho a
espinhela caída o quebranto minha avó me
apareceu numa aparição de assombração
rezou ladainha num canto da cozinha
acordei atônito a falar esperanto

BH, 020202026; Publicado: BH, 01°0402026'

a pimenteira à entrada do barracão

a pimenteira à entrada do barracão
da minha avó à direita de quem
chegava à esquerda de quem saía
olhava-me quando aparecia para
visitá-las menino nada sabino nada
ladino nada sandino nada saladino
minha avó escolhia a pimenta mais
bonita mais vermelha dava-me de
presente fazia-me comer a pimenta
na hora não faz mal se não comer
os sabiás vão comer vão acabar
com todas sempre gostava de ir
menino paladino ao barraco em
cima do barranco onde minha avó
morava com a mãe o marido césar
o filho lourenço a pimenteira na
porta do lado de fora à esquerda
de quem saía à direita de quem
chegava tinha sempre uma puta
para ser benzida rezada bolinada
aos risos cochichos comichões
cócegas arranhões tinha sempre
o pote com água potável fresca
talhas cheias de tralhas jarras
vasos penicos bacias gamelas
tachos fogão de barro branco à
lenha onde acendia-se cigarro
de palha na brasa pinguinha
na moringa fumo para mascar
bananas na garrafa para fazer
vinagre era só sorte tudo era
usado para espantar o azar

BH, 020202026; Publicado: BH, 01°0402026

terça-feira, 31 de março de 2026

qual a causa da tua tristeza meu jovem septuagenário?

qual a causa da tua tristeza meu jovem septuagenário?
a lucidez abandonou-me desde o dia no qual nasci daí
então nunca mais fui lúcido meu irmão ai coloquei a
cabeça no mundo perdi a cabeça o cabaço a cabaça
entrei na escuridão pela contramão nada mais
enxerguei adaptei lentes aos olhos em vão troquei as
naturais por fixas em vão fiquei mais cego todo mundo
enxerga mais tudo claramente tateio no veio perco o
cobre o ouro a prata todo mundo segue a própria
intuição fico biruta de aeroporto molambo de estrada
para onde o  vento der sem dinheiro sem mulher sem
felicidade um homem só é feliz de sorrir quando leva
uma mulher consigo mesmo uma mulher que não seja
lúcida também igual não sou bebas umas quem sabe
não diminuis esse teu augúrio? tentarei se a tentação
vier pois até a tentação não me dá mais atenção só
desacelerou meu coração que hoje funciona à base de
drogas que não deixam a sístole a diástole essas
celeradas me jogarem no chão balanço no pêndulo
guio a louca locomotiva passiva que há muito deixou
de ser ativa hoje é nociva a fazer com que tenha medo
da morte o que outrora não fazia pois sempre vivi no
azar nunca tive boa sorte só a má o sul não me quis
perdi o norte abracei o nordeste num vento sem raiz

BH, 040202026; Publicado: BH, 0310302026

que fazes aí?

que fazes aí?
à espera duma frase que passará aqui
necessito começar um período novo
ou um artigo ou um ensaio ou uma
lauda ou seja lá o que for porém não
passa uma frase por aqui ou uma
sentença que vença vitoriosa ou
uma oração com todos os termos da
razão mesmo que peça ao senhor
por favor camarada presta a atenção
ninguém liga mais para essas coisas
não temos aí a inteligência artificial
a realidade virtual com um único
clic compões uma obra-prima ou
uma obra de arte da bela arte sem te
torturares a si mesmo sem angústia
sem ansiedade ânsia agonia
camarada sou da antiga do tempo do
bom-dia do poema da poesia isso
hoje é pura heresia goétia sem
teurgia não enche barriga não traz
alegria todos que tentaram ficaram
loucos adoeceram mentalmente vais
pelo mesmo caminho todo mundo
reclama de ti que vestes mal não
fazes a barbas não cortas os cabelos
andas em desmazelo deselegante
sem dinheiro vives aí pelos cantos
punhos cerrados pergaminhos folhas
em branco canetas nas mãos não
tens nem um pedaço de pão a matar
tua fome pareces mais um animal
não pareces um homem qualquer 
dia te internam numa clínica para
alienados severos como um
trabalhador que não se reconhece
no produto do seu trabalho bye go

BH, 040202026; Publicado: BH, 0310302026

CHICO CÉSAR: